sabato 10 giugno 2017

QUINDICI DOMANDE A WILSON VIEIRA

QUINZE PERGUNTAS PARA WILSON VIEIRA

O traço inconfundível de Wilson Vieira.O traço inconfundível de Wilson Vieira.
Um dos mais profícuos roteiristas de HQ hoje, tanto no Brasil quanto na Europa, é Wilson Vieira. Este paulista, que de tanto publicar na Itália e no Brasil é considerado um autêntico quadrinista ítalo-brasileiro. A UCMComics já publicou duas histórias deste amigo e colaborador: a HQ Censurado, dele com desenhos de Aloísio de Castro, publicado aqui em Mausoleum #1 e a HQ Evolution, com desenhos de Fred Macêdo, recentemente publicada em Mausoelum #4. Na nossa sessão "Quinze Perguntas Para" saberemos um pouco mais da carreira deste artista, quadrinista, professor, roteirista, Wilson Vieira. Confira.
UCMComics — Você sempre sonhou em ser quadrinista? Como foi seu início de carreira e quando desenhar e roteirizar se tornaram importantes em sua vida?
Wilson Vieira — Não diria de não, mas com o passar do tempo e vendo o meu pai desenhar e desenhava muito bem, fui tomando gosto pelas imagens desenhadas, daí acendeu-se uma centelha interna e comecei a estudar seriamente. Bem, o meu aprendizado como desenhista até tornar-me um profissional foi na Itália, através do Studio Staff di IF, em Gênova, “comandado” por Gianni Bono. Lá tive a oportunidade tanto de aprender a desenhar quanto a escrever, pois ficava diariamente em contato com excepcionais desenhistas e roteiristas Italianos. Muitos Artistas Italianos hoje conhecidos na Itália, também colaboraram como o Staff di IF.
UCMComics —  A Europa e principalmente a Itália, lhe deram uma base para ser reconhecido em outros lugares além do Brasil. Como foi isso? Você se considera um autor de quadrinhos ítalo-brasileiro?
Wilson Vieira — É verdade, caro amigo. Bem, acho que foi tudo bem natural, com o passar dos anos meu nome e trabalhos foram cada vez mais divulgados, o que me deixa muito honrado e agradecido. Comecei a dar entrevistas para a Europa, comecei a mandar meus roteiros em Português e Italiano para lá, foram aprovados e comecei a produzir HQs com autores Nacionais e Italianos. Sendo assim, sim, considero-me um autor com um pé aqui no Brasil e outro lá na Itália, digamos que sou um autor ítalo-brasileiro ou brasileiro-ítalo (risos) mas, Quadrinhos ou Fumetti, o que importa mesmo, é nossa paixão avassaladora por HQs, sem tempo nem espaço, não?  
UCMComics —  Há uma diferença em desenhar e argumentar para um público europeu e para os brasileiros?
Wilson Vieira — Acho que sim, pois a sensibilidade do europeu e do brasileiro é diferenciada sutilmente e é necessário entende-la para ser compreendido, principalmente, eu diria, em roteiros. Eu descobri o caminho dessa compreensão, obviamente, por ter vivido e trabalhado lá, por isso sou bem aceito. Parece algo inverossímil, mas é a mais pura realidade, acredite! 
UCMComics —  Você é considerado o primeiro brasileiro a desenhar personagens Marvel fora do Brasil, como foi essa experiência?
Wilson Vieira — Sim e naquela época, nem me dei conta de tal magnitude ao desenhar o Homem-Aranha, mas não foi só isso, sou o único também a desenhar outro personagem ícone italiano, o Diabolik, também fui o primeiro a desenhar Tarzan e o Pequeno Ranger (esboços acima) para a Sergio Bonelli Editore.
UCMComics —  Por que escolher ser roteirista? Como é essa diferença em ser roteirista e desenhista dentro e fora do nosso país?
Wilson Vieira — Ser roteirista foi algo bem natural para mim, não sentia mais prazer em desenhar, mas passei a me interessar pelo caráter dos personagens; de onde vinham, para onde íam, quem eram, onde habitavam, o porquê de suas reações e daí foi uma, digamos, “transição” tranquila de desenhista para roteirista, sem traumas (risos). A diferença, como já mencionei aqui, ela existe e é real, quase imperceptível, mas existe. É preciso ter o discernimento exato para entende-la.
UCMComics —  Quem são suas referências para roteiros e desenhos. Há mestres que fizeram de você o que você é hoje como profissional de HQ?
Wilson Vieira — Minhas referências para os roteiros foram (pois já faleceram) um casal de roteiristas italianos, muito conhecido na Europa, que trabalhavam comigo no Studio Staff di iF lá em Gênova: Andreina Repetto e Alfredo Saio, tudo o que sei hoje sobre escrever, devo a eles eternamente. Para os desenhos, penso que foi o Joe Kubert Pai (também já falecido), o seu Tarzan era deslumbrante, perfeito.
UCMComics —  Você foi Professor de Desenho por muitos anos, o que esta experiência trouxe para o seu currículo de quadrinista?
Wilson Vieira — Diria que foi o inverso, ou seja, como quadrinista enriqueceu sim e muito o meu currículo de Professor de Desenho, pois explicar algo que já se fez na prática, torna tudo mais simples em ensinar.
UCMComics —  Você participou de duas editoras importantes para os quadrinhos brasileiros, que foi a D-Arte de Rodolfo Zalla e a Grafipar, do Faruk. Como foram essas experiências?
 Wilson Vieira — É mesmo, tive essa felicidade. Bem, com a editora D-Arte, do grande editor, mestre e mecenas das HQs no Brasil, o também amigo Rodolfo Zalla, que fui apresentado pelo também amigo, Wagner Augusto, jornalista e editor do CLUQ (Clube dos Quadrinhos), que publicou o meu álbum: Cangaceiros – Homens de Couro #1 publiquei a HQ: Censurado com o já amigo e Artista Aloísio de Castro, e onde na revista Calafrio #26 tanto eu quanto o Aloísio tivemos nossas primeiras biografias divulgadas, escritas por Wagner.  Quanto a Grafipar fui convidado pelo famoso Franco de Rosa um “expert” em Quadrinhos Brasileiros a desenhar um roteiro seu intitulado: O Carrasco. Foram experiências distintas, mas excelentes, pois me fortaleceram como profissional também aqui no Brasil. E ultimamente também fui publicado, juntamente com desenhistas nacionais, pela Editora Quadrix Comics Group, do também amigo e editor Alex Magnos, em seus primeiros quatro números da revista Quadrix Comics. 
UCMComics —  O que diferencia os quadrinhos daquela década para os quadrinhos que fazemos hoje no Brasil?
Wilson Vieira — Bem acho que tudo! O visual, os textos, os ótimos autores, aumentaram consideravelmente o número de publicações ou seja, demos um salto de qualidade e quantidade, mas  o que nos emperra literalmente falando é a distribuição e o pensar (ainda por muitos leitores, infelizmente) que Quadrinhos é só leitura para crianças e não Arte.  
UCMComics —  Você sempre teve excelentes parceiros nos desenhos, um exemplo disso é Aloísio de Castro e o Fred Macedo, como você os escolhe e como é a sua maneira de trabalhar seus roteiros com os desenhistas?
Wilson Vieira — O Aloísio é um amigão e parceiro de muito, muito tempo, excelente Artista, que captou a minha total concepção literária em escrever o personagem Gringo, como ninguém o faria, Fred é também um amigo pessoal e excelente Artista, o qual “materializa” como ninguém meus roteiros. Bem são escolhidos pela paixão pelos Quadrinhos e seus estilos pessoais marcantes, como os demais Artistas com quem já trabalhei e publiquei tanto aqui como lá fora; tais como: Allan Goldman, Daniel Brandão, o mestre Getulio Delphim, Angelo Roncalle e atualmente estamos trabalhando eu e o Ronald Guimarães em um álbum western. Quanto aos roteiros eu dou total liberdade ao desenhista para criar, tanto que todos os meus roteiros, juntamente com os desenhos de variados Artistas com os quais colaboro, sempre foram aceitos, aqui ou na Europa, sem nenhuma restrição. 
UCMComics —  Seu mais recente trabalho, a HQ de ficção científica “Evolution”, em parceria com Fred Macêdo, foi publicada na Itália com uma ótima repercussão e agora está sendo publicada no Brasil pela UCMComics, como foi trabalhar esta história que possui não simplesmente um argumento de HQ, mas uma reflexão sobre o próprio ser humano?
Wilson Vieira — Foi isso mesmo, caro Marcelo, quis falar sobre o ser humano em seu primórdio, tendo um final inesperado e optei por ter poucos diálogos e acho que atingi o meu objetivo. Essa HQ foi muito bem recebida pelos leitores Italianos e Portugueses.
UCMComics — O que você está lendo atualmente em termos de HQ?
Wilson Vieira — Vou ser bem sincero contigo, meu amigo, já faz um bom tempo que não leio nada de HQ, por falta de tempo mesmo, pois o escrever nos toma um tempo demasiado. Quando possível vejo algo na Web.
UCMComics — Você tem alguma sugestão de leitura para o leitor que queira começar a ler HQ ou mesmo para aquele que queira começar sua carreira de quadrinista?
Wilson Vieira — Bem, caro Marcelo, acho que o leitor que queira começar a ler HQ ou mesmo para aquele que queira começar sua carreira como quadrinista, deverá ler de tudo o que é possível. Não deverá impor nenhuma barreira para si próprio, pois tudo o que será absorvido será importante para este indivíduo, tanto leitor como quadrinista, acredite!  
UCMComics —  Como você vê os quadrinhos e suas novas tecnologias? O surgimento da Internet, as novas plataformas e as redes sociais para a troca de informações entre quadrinistas é algo que lhe ajuda e lhe interessa para o desenvolvimento de seus trabalhos?
Wilson Vieira — Tudo fantástico! Imagine só fui da época que a ferramenta de ponta era o guache ou a aquarela e livros; hoje tudo é mais facilitado e instantâneo. Eu só uso o computador para escrever e fazer minhas pesquisas; sou um velho lobo solitário (risos).
UCMComics —  Para finalizarmos, você pode nos contar os próximos Projetos de Wilson Vieira para 2013?
Wilson Vieira — Escrever, escrever, publicar, publicar, tanto aqui quanto lá fora, em Portugal, na Itália. Espero também publicar uma série de livros western, mas antes ainda, em 2012. Nesse final de ano teremos ótimas novidades que virão da Europa e do Brasil, aguardem! Imagine caro amigo, Marcelo, sou eu quem agradece esse bate-papo gostoso e espero que os leitores, gostem também. Grande abraço.
UCMComics — Nós que agradecemos, Wilson, e que a vida nos traga bastante sucesso para continuarmos nesta difícil empreitada em prol do quadrinhos nacional.